Bancária testa “Viagra feminino”, pílula que combate a falta de desejo: “Tudo melhorou em meu casamento”
23/03/2015 06h00 – por Virgínia Sole Smith.
Quase 20 anos depois do Viagra, a indústria farmacêutica ainda não foi capaz de criar um remédio que combata a ausência de desejo feminino – problema que atinge 32% das mulheres no mundo. Marie Claire conversou com voluntárias em testes de pílulas para tratar a falta de tesão e relatam suas experiências.
Ao acordar em uma manhã de verão, a bancária nova-iorquina Clara*, 38 anos, estava louca para transar. Mas, com dois filhos pequenos em casa e a correria matinal que ela e o marido, o advogado Roberto*, 40, teriam pela frente, acabou desistindo da ideia. Mas Clara encontrou uma solução criativa – e excitante – para contornar o problema. Colocou um envelope no painel do carro de Roberto, com o aviso: “Abra quando chegar ao trabalho”.
Diferentemente do Viagra – cuja ação é aumentar o fluxo de sangue para o pênis, tornando mais fácil “sustentar” ereções –, o efeito da flibanserina se concentra no cérebro . A droga aumenta a dopamina e a norepinefrina (hormônios que participam da excitação sexual) e diminui a serotonina (que, acredita-se, seja responsável pela inibição da libido).
Em 1998, o FDA aprovou o citrato de sildenafila, uma droga comercializada com o nome de Viagra, para tratar a impotência masculina. Na primeira semana, milhares de receitas foram emitidas. Até 2012, o Viagra e seus concorrentes famosos – Cialis, Levitra e Stendra – somavam US$ 4,3 bilhões em vendas anuais.
Enquanto os médicos tentam entrar em um consenso sobre a sexualidade feminina – há quem ache que somos complexas demais para ser “curadas” com uma pílula –, outro medicamento entra no páreo: o bremelanotide . Produzido pelo laboratório Palatin Technologies, está no estágio final dos testes do FDA. A droga ativa receptores cerebrais que enviam sinais de prontidão sexual.
Rachel*, uma arquiteta de 37 anos, casada há dez e mãe de três filhos, achou assustador ter que aplicar injeções de bremelanotide , ao ler em um jornal que o laboratório responsável estava recrutando voluntárias para testes. Mas estava tão desesperada para recuperar o desejo que se candidatou.
O que falta para elas é a fome de sexo, que é mais subjetiva do que a quantidade de vezes que transam.” Enquanto isso, os médicos do FDA insistem em afirmar que não são machistas – só se preocupam com efeitos colaterais. É contra a política da agência comentar sobre medicamentos em análise, mas um porta-voz do órgão disse à Marie Claire que a disfunção sexual feminina está na lista das 20 áreas de “alta prioridade” de pesquisa.
Tanto Clara quanto Rachel passam muito tempo não necessariamente querendo sexo, mas querendo querer – uma das principais características do TDSH. “Essa doença ocorre quando uma mulher diz: ‘Eu não penso mais em sexo’”, explica. “Mas a peça fundamental é estarem perturbadas com a falta de desejo. É como perder o apetite.”
*Os nomes foram trocados a pedido dos entrevistados.
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